Centro de Pastoral Santa Fé – Via Anhangüera, Km 25,5 - São Paulo, 14 a 17 de maio de 2008
“É tarefa da Equipe de Formadores ajudar cada um a discernir não só se é chamado por Deus, mas se tem condições psicológicas para assumir o que o presbiterado supõe como base humana” (DBFP, n. 120).
Com o intuito de ampliar e aprimorar o trabalho de animação, acompanhamento e discernimento vocacional a OSIB (Organização dos seminários e institutos do Brasil) que é um organismo vinculado à CNBB (Conferência dos bispos do Brasil) organizou o V Encontro Nacional de Psicólogos(as), Psicopedagogos(as) e Formadores de Seminários, com o tema: “ÉTICA E PROFISSIONALISMO NO PROCESSO FORMATIVO”. Este tema vem complementar o assunto do IV Encontro onde foi trabalhado o tema “Implicações ético-morais dos formadores e profissionais no processo formativo”. A justificativa que foi dada para continuar com esse assunto é que todo o trabalho formativo bem feito passa necessariamente por uma postura ética. Se faltar a Ética na prática formativa, todo o trabalho fica comprometido, fadado ao fracasso. As relações de ajuda para que sejam benéficas, positivas e saudáveis necessitam trilhar o caminho da Ética. Nem sempre isso acontece em nossos seminários. Daí a necessidade de refletir, dialogar e criar melhores condições para que todas as pessoas envolvidas no processo formativo sejam iluminadas pelos princípios éticos para articular melhor a prática formativa.
A OSIB foi fundada por sugestão da OSLAM (Organização de Seminários Latino-Americanos e do Caribe), para proporcionar um espaço que permitisse e facilitasse um intercâmbio de experiências, uma conjugação de esforços e para preparar melhor os formadores para desempenhar sua responsabilidade. Desta maneira, a OSIB proporciona oportunidades de reflexão em conjunto sobre as diretrizes da formação, em sintonia com a orientação do Episcopado e da Igreja. Desde a sua criação a OSIB continua realizando diversas iniciativas a serviço dos formadores, sempre em comunhão com a Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB e visando a realizar o aprimoramento da formação na linha das Diretrizes Básicas.
O ano de 2009 traz em sua essência, para nós formadores e demais pessoas comprometidas no processo formativo, um olhar atento e feliz. Estamos completamente envolvidos com as novas Diretrizes da Formação Presbiteral que foram aprovadas na 47ª Assembléia Geral dos Bispos da Igreja no Brasil (Itaici – São Paulo - de 22/04 a 01/05/09). Essa conquista só foi possível, porque a união e dedicação dos responsáveis pela formação fizeram ressoar no coração da Igreja um ardente desejo de renovação e atualização.
O encontro foi assessorado pelo Prof. Dr. William Cesar Castilho Pereira – (PUC - Belo Horizonte). Chamou a atenção positivamente que esse encontro fosse assessorado por um leigo, casado, pai de família com três filhos, e que tem uma longa experiência de trabalho junto as congregações e dioceses dentro do Brasil.
Participaram umas 60 pessoas que vieram dos mais diversos lugares do Brasil. Foi um destaque muito importante no Encontro a presença de leigos, principalmente a presença feminina, e seus depoimentos como profissionais da saúde, comprometidos no processo formativo de nossos seminaristas. Cada vez mais o trabalho do leigo está sendo mais reconhecido e valorizado nesta área da formação. Constatamos que passos importantes estão sendo dados, incorporando o leigo e a presença da mulher na formação dos seminaristas. O pe. Olindo Furnaletto vicepresidente da OSIB muito bem nos acolheu e nos incentivou a continuar com generosidade, dedicação e competência na tarefa formativa, sem medo de olhar para o novo e o diferente.
O tempo foi ocupado com exposições de fundamentação teórica feitas pelo assessor; estudo de 11 casos reais tirados de nossos ambientes formativos. Com uma metodologia participativa, discutimos esses casos, considerando quais seriam as implicações éticas levando em conta os referenciais teóricos que a Igreja nos apresenta. Tivemos debates e confrontos muito proveitosos entre os psicólogos e os formadores. Também estudamos e discutimos alguns documentos da Igreja, assistimos alguns filmes etc.
Nas reuniões de grupo e plenários saíram temas e reflexões muito interessantes, além do tema da Ética que foi o fio condutor, sobre a sexualidade, homossexualismo, a presença da mulher na formação, a contribuição necessária de uma equipe transdisciplinar e multidisciplinar para dar conta de toda a problemática da formação e deixando bem claro o papel e a função de cada um no processo formativo. Partilhamos o trabalho desenvolvido, dificuldades encontradas, conquistas, etc. Foi muito interessante escutar as falas dos profissionais leigos que trabalham junto aos seminaristas, em nossos seminários. As suas reflexões e questionamentos feitos do outro lado muito nos ajudam a repensar alguns elementos de nossa prática formativa.
Constatamos uma abertura e serenidade para tratar casos delicados da formação que alguns anos atrás não eram discutidos desse jeito num espaço público, a necessidade de um trabalho formativo mais profissional e personalizado, interdisciplinar, deixando de lado a improvisação, os “achismos” e o amadorismo. Ao longo de todo o encontro ficou evidente e explícito a preocupação da Igreja com a Ética também no processo formativo. A interação com profissionais de diversas áreas ajudou a olhar para essa realidade a partir de perspectivas diferentes e que tornaram os debates e diálogos muito ricos. A presença de padres, freiras e leigos foi considerado um avanço na busca de um trabalho mais qualificado, levando em conta a complexidade de nossa atividade formativa.
Tivemos nossos momentos de espiritualidade com a eucaristia diária, nossas orações, preparadas com dinamismo e criatividade e na noite do sábado tivemos um momento de confraternização com um churrasco e uma partilha mais descontraída e informal.
Agradeço a Deus por mais esta oportunidade e este momento de graça que eu tive para estar refletindo e partilhando com outros irmãos/as a realidade formativa e buscando aprimorar esta trabalho tão delicado e complexo que a Igreja nos confia. Os desafios são grandes, mas o desejo de superá-los são maiores ainda.
Maringá, 18 de maio de 2009
Fr. José Lorenzo Gómez
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